domingo, 27 de setembro de 2009

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

solto na língua

Hoje estou de suavidades. Quero que o dia seja doce e que o perfume seja quente como o sol das cinco. Hoje eu só quero palavras mansas, baixas, que descem como veludo enrolando pescoço e ouvidos. Hoje eu escuto aquela música leve, de batidinhas marcadas, aquele hit que  acompanha até na calçada, na padaria. Hoje estou a fim de uma bossa, mesmo que sozinha, de sentar para ver a poesia de janeiro, do Rio inteiro, do desenho gostoso e curvilíneo do Corcovado. Hoje eu topo uma tapioca , um empanado, topo qualquer coisa que tenha em cima um côco ralado. Hoje é dia de cores leves, do finalzinho da onda chegando na areia, de uma fala que nem precisa sair, de uma abraço para desaparecer nos braços. Hoje eu quero mais do violão: o tom, os dedos da mão. Hoje eu quero a corda vibrando na caixa maior do meu coração.  Eu quero ser o som, e de tão mergulhada, ser tocada em uma tarde calma… Quero tanto que esse dia não tenha pressa de passar, que não se agonie para começar nenhuma emoção em mim. Quero deixar deslizar, escorrer, até que sinta chegar um eclipse de dia assim. 

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O gosto que gente tem.

Gosto de gente falando em inglês. Os dois primeiros minutos em que eu me culpo por não dominar a língua são absolutamente superados pelo gosto que eles me provocam: o gosto de viagem. Ri sozinha porque naquele pequenino instante, em um cubículo de elevador, eles fizeram com que eu me sentisse livre no mundo. Atravessando um corredor de hotel em nova york ou em um museu famoso, apertando o livrinho sobre o peito, esperando para entrar. Naquele momento, aquelas pessoas me têm gosto de férias. Acontece parecido com meus amigos baianos: todos têm o bafo quente de sol. Quando eles chegam, me animo, porque sei que encontro um pacote de alegria, um suplemento de amor do qual sou feita. Me encontro com a melhor parte de mim em um simples sorriso encostado na porta, preso no rosto de um deles. Parece que a cidade embarcou, que minha felicidade passou para me buscar. As pessoas mudam de gosto quando se misturam com o cheiro quente de nossas memórias, os pedidos escondidos de nosso coração. E tudo passa a ser tão mais bonito e tão fácil se explica o rosto da moça, olhando pro alto, quando todo mundo está andando rápido, olhando pro chão.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Samba da bagunça - passagem do trem

Peço desculpa por esse jeito

tão desconexo , meu bem

pelo desajeito do meu cabelo

pelo embaralho de minhas pernas

e pela maluquice de

meus sentimentos

Sou assim um assustado só

Diante de um amor calmo

E uma onda farta de amor

Diante de um dia calmo

Sou assim, de derrubar a mesa

E de balançar o chão

Quando você só quer encostar a cabeça

Sou assim de pedir muito

De pedir os dedos, os ventos, os tempos, as mãos

Perdoa, amor, esse meu jeito tão desajeito

Meu amor destrambelhado

Descendo para os seus braços

Essa bagunca que faço

Com nosso suave compasso

Leve de tanto nós.

 

Se um dia a cabeça virar

Deixa então que eu arrumo

Que eu ponho tudo no prumo

Com meu punhado de palavras

Que eu dobro tudo de novo

No calor do meu abraço

Penduro nossos sentimentos

Penteio nossos medos com zelo

E amo como quem não fez nada

Como se nunca tivesse passado

Coisa assim tão assanhada.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Diverso

Esse jeito então tão masculino, de tornar o café com pão comum, o frio entrando na janela normal, a vontade de beijar e abraçar em absolutamente controlável. Esse jeito de estar mais atento aos clientes que vai receber daí a pouco, em vez daquele instante em que o cheiro do banho recém-tomado ainda está no carro. A corrida masculina que quase atropela nossa desavisada sensibilidade, que atravessa nosso romantismo infantil, sem muitas honras. Essa engraçada maneira de viver tão satisfeito, em saber que tem o que precisa ao lado, como quem anda olhando pra frente, com um pouco de pressa. Acha que está puxando sua carroça de essenciais, e leva um mundo de docilidades, sem perceber. Tão diferente de nossa insaciável mania de amar os detalhes, de respirar os encontros de intervalo, de festejar soluços de saudade. Ás vezes incomoda ser assim derramada, mas tenho aprendido a deixar viver. A ouvir os ritmos, respeitar as notas de cada um, e quem sabe um dia, parar de doer com as concretudes rotineiras. A controlar o violeta escorrendo da ponta dos olhos, para entender que aquela não é a hora de pinturas em vãos de dia. Pelo menos, para um de nós.