sexta-feira, 9 de outubro de 2009


Meu coração nasce flor
Beirando e pingando na estrada
Hora chorando de amor
Hora divagando acordada.

santo anjo

Adoro o cheiro de carpete que minha nova casa tem.  Adoro as cores do adesivo coladas ao lado do elevador, bem perto da porta. Gosto de usar o teclado que aprendi a usar  desengonçadamente anos atrás, quando comecei, mostra que nada é à toa, tudo lhe dirige a algum lugar. Amo esse todo que está por vir e eu não conheço, mas sinto. O cheiro desse lugar é grande. Começo a sentir meus desdobrar de braços. Na minha frente há uma janela de cortinas piscadas, como olhos . Mas são brancas e grandes. Aos poucos deixo Luise se espalhar por esse lugar.  Ganhar dimensões da sala – leva um tempo para que percebamos o tamanho que realmente temos – por enquanto ainda estou tomando coragem de medí-la com os olhos. Olhá-la por inteiro é o primeiro ato de coragem. E de posse. Háuma ponte por cima de nós, cruzando as salas, por onde as idéias devem passar caminhando, feito gente que vai para a reunião. Sinto que as pessoas aguardam, esperam o que vem. E o mais interessante talvez seja isso: eu também estou aberta ao que vem. Também quero me testar, me conhecer. Sei que há um mundo imenso urso em mim querendo sair. Não fosse isso, não sentiria falta de ar. Essa falta de ar é na verdade um excesso: um exagero de idéias, energias e vontades, esperando um mínimo deslize da garganta para virar realidade. Por enquanto só brinco com as letras,, como dedos crianças em teclas de amarelinha. Passeio. Esperando a gigante que me tornarei. Até eu quero tanto conhecê-la. Vejo algumas pessoas se abraçando e a energia folgada do abraço. Vejo alguns risos correndo curupiras pelo silêncio pós-almoço, tão igual a todos os lugares do mundo. Lá fora a chuva deixa tudo assim: branco – tão bem lembrada a folha de papel. Branco novo esbranquiçando, inaugurando tempo novo, fazendo branca também a sala, a tela de papel e o fôlego da menina – nova. Sentia um cheiro de branco que era mais do que o cheiro da chuva. Feliz primeiro dia.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Prezados leitores,
Informamos que temporariamente a palavra desculpe - sem aspas para enfeitá-la, nem letra maiúscula para não virar um nome próprio - está extinta desse blog por abuso de sua companhia.

Atenciosamente,
A direção.

domingo, 27 de setembro de 2009

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

solto na língua

Hoje estou de suavidades. Quero que o dia seja doce e que o perfume seja quente como o sol das cinco. Hoje eu só quero palavras mansas, baixas, que descem como veludo enrolando pescoço e ouvidos. Hoje eu escuto aquela música leve, de batidinhas marcadas, aquele hit que  acompanha até na calçada, na padaria. Hoje estou a fim de uma bossa, mesmo que sozinha, de sentar para ver a poesia de janeiro, do Rio inteiro, do desenho gostoso e curvilíneo do Corcovado. Hoje eu topo uma tapioca , um empanado, topo qualquer coisa que tenha em cima um côco ralado. Hoje é dia de cores leves, do finalzinho da onda chegando na areia, de uma fala que nem precisa sair, de uma abraço para desaparecer nos braços. Hoje eu quero mais do violão: o tom, os dedos da mão. Hoje eu quero a corda vibrando na caixa maior do meu coração.  Eu quero ser o som, e de tão mergulhada, ser tocada em uma tarde calma… Quero tanto que esse dia não tenha pressa de passar, que não se agonie para começar nenhuma emoção em mim. Quero deixar deslizar, escorrer, até que sinta chegar um eclipse de dia assim.