quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
só um pensamento.
Amadurecer me ensinou a esperar
A ter a calma dos mais antigos
Num sorriso de novo
Amadurecer é não se alarmar, não gritar
Encostar os lábios diante da força dos ventos
E mantê-los assim.
É descobrir que tudo pode sacodir lá fora
Mas aqui dentro silêncio, preservação.
E a fina esperança que nos diz que tudo podemos.
Amadurecer não é envelhecer no tempo
é aprender a senti-lo dentro de nós.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
verdeazul
É tão sol
E meu coração em mergulhados
De verde azul, verde azul
É tão abraçado branco
Esse céu
E tão espaçoso o riso em mim
Que abrigo passarinzisses todas
Há tantos suspiros e pulos, suspiros e pulos
Anúncios de verão
E eu quero uma corda solta, frouxa
diversidade de palavras na língua
Para dar férias a sílabas
Para deixar a alma se encarregar
De rolar na areia até virar onda
Mole, gostosa, mole…
E que ventorino é esse
Que balança meus fios carinho
Feito barulho de cadeira de vó
Feito enlace de dedos sabor baunilha
Poxa, nesse verão..
Eu também quero me pôr!
Em amarelo e laranja
Às cinco da tarde,
Pestanejando de brilho a areia.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
entupido
Todo mundo traz uma aflição dentro do peito
- sem número, nem metro, nem tipo
e hoje, nesse dia cor de negro
Esse menino embrulhado de passado
quer vir à tona, cheio de saliva e de sangue
e de tanto empurrar o meu peito
parece que vai me arrancar o hoje
parece que vai me levar junto
em seu desejo de partir
o menino é o dono de minha angústia
Todo mundo tem um pedaço amargo de caminho
que arrasta por entre uma madrugada de dias
sem um motivo que pareça ser real
todo mundo lá no fundo
quer fazer as pazes consigo
quer se pegar no colo por uns minutos
e dizer umas palavrinhas que costumam sarar
na verdade, parece eu tenho um motivo pra chorar
mas um motivo longo
que não seca quando suas lágrimas acabam
e vem aquele ventinho frio do alívio
parece que sempre volta meu motivo
em qualquer cair das seis...
Todo mundo ama sem precedentes
mas alguns choram uma dor fora do hoje
alguns sentem uma angústia de não caber
que não assenta em canto nenhum da garganta
a minha hoje está pedindo para nascer
como nasce em mim a mulher nova
a minha quer se despedir de mim
e não encontra forma
hora nenhuma, por mais abanar de braços
tentou até escapar por meio
desses fiozinhos de poesia
como se pudesse correr para sempre.
domingo, 17 de janeiro de 2010
Toda de contas - arte de crescer
Meu deus porque estou atenta
E costuro minha alma feito
Colcha de fuxico, das que cobrem o sofá.
Vou amarrando aqui, enchendo de pontos o outro lado
Vou acertando até que a linha
Esteja pronta, esteja certa
E de tão estirada e estufada em seu vermelho
Seja o caminho macio para os meus passos
Claros
Vou costurando sem pressa, com amor
Sei do que são capazes os bordados do meu sonho
Sei da delicadeza com que arremato a minha alma
Sei do que contam as estampas
Que gentilmente escolhi
Nesse acolchoado da vida
Sou uma tecelã, minuciosamente atenta,
Que algumas horas dá um ponto fora da cruz,
Que por um segundo, fura a ponta do dedo
Mas que devolve os mesmos olhos de amor
E volta as mãos antigas para o tecido,
Como se fosse um carinho levá-lo ao pé da agulha
E vai ficando bonito o desenho
Porque tem o cruzado forte de quem já andou
Aprendendo – e se pode ver
um colorido, desembaraçadamente bonito
Que parece que muda de tom
Cada vez que avanço mais um metro.