segunda-feira, 5 de abril de 2010

bahia

É alguma coisa que não tem nome não. Porque nem juntando outras coisas de nome parecido se consegue explicar. Já tentamo alegria. Já tentamo toda invenção. É alguma coisa que se sente, quando você encosta na beira do muro de pedra e enche os dedos de sal. É alguma coisa que se escuta, mesmo andando distraído naquele burburinho de tardes, tabuleiro e barraca. É alguma coisa que se prende nos olhos, entre o estampado azul e a rajada dourada, bem na curva do farol. É um embaraçado de palavras que deixa qualquer um tonto, cansado da procura. Mas todo mundo sabe que tem. É como chegar numa loja e abrir o sorriso. Mas não saber o nome do produto. É como dar um presente e a pessoa adorar receber. Mas não saber contar a ninguém o que foi que ganhou. E é tão presente, é tão forte, quase como uma pessoa que caminha do seu lado. Você sabe que tá ali. Entre o cheiro forte amarelado do rio avermelhado. Na conversa frouxa da morena com suas mãos nos dedos dela. No o dia que insiste, não tem pressa nenhuma de acabar, chegando a ser desajustado do mundo. É o quebrar da onda, mas é o abraço todo doado, que também se prende a você a qualquer canto que vá. É o qualquer coisa que enche os olhos. Que dá uma vontade danada de fincar os pés por baixo da areia e pedir pra ficar. É essa coisa danada que não tem nome de nada que faz a Bahia. E a gente fica curioso, tentando explicar. Mas eu já disse que coisa sem nome é da natureza do amor. É pra viver, não pra falar. Pra ver se assim não acontece de ninguém se atrapalhar.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Decido ser


Eu hoje escolho. Não gritar para não espantar os pássaros dentro do meu peito. Não me pertubar com coisa alguma que a calma resolva por si só. Não me encher de pensamentos a ponto de não escutar a música que embala os dias de paz. Não acreditar na agonia do outro, acreditar muito mais no tempo. Confiar que ser positivo não é uma forma de pensar, é ajudar a vida a fazer as coisas acontecerem. E não ser demasiadamente triste se posso escolher para onde quero olhar.

quinta-feira, 18 de março de 2010

entre nós

  Do que mais me orgulho não é o que apareceu na notinha. Nem do trocado que ganhei. Gostei das cores, claro. Gostei do que vi, entre tetos, das zuadas, risadas, do verde do litoral e do azul espelhado refletindo essa gente nos prédios. Mas é mais. Quando um lugar é novo para você, você é nova para o lugar. E ele vai senti-la, cheirá-la, esperar até que você queira ser. E do que vivi, o que mais me me deixa feliz é isso: o que construí em gente.

  Me alegra em alguns dias, que a vida não tem o menor interesse em contar, ter feito sentimento aparecer em corações distraídos, inéditos, desavisados como o meu. Me alegra ter rido gente. Ter trazido para perto.Ter deixado gente bonita nascer em mim. 

  Me alegra saber que conquistei cumplicidade. Que algumas pessoas estão com a minha causa, com o meu sorriso, até com as minhas dores. Me anima saber que já não sou mais uma, sou mais, a cada centímetro que percorro, a cada metro que permito amor.  Somos o que alcança o outro.  

  Me deixa orgulhosa descobrir que posso fazer amigos. E do verbo fazer, considerando o tempo com que se faz qualquer coisa: um pão, uma hora, um destino. Devagar, com cuidado, vezes com entusiasmo, vezes com espera silenciosa. Mas sempre, com uma gratuidade plena. Sempre com a verdade das afinidades que não precisam de razão. Tudo tão dado que chega a ser como prêmio o que me dão em troca: vida. Carinho. Abraço. 

 Me alegra saber que sou capaz de construir amor em lugares que nunca me viveram. E saber que já vivem em mim pessoas de rostos novos. 


Agradeço ao acaso e ao caso desse coração querer se abrir.


A todas as pessoas: Gratuitas. Bonitas. Comigo. Caminho.

sexta-feira, 12 de março de 2010

E logo gostei de jeito
daquele seu jeito de ser
mas eu que não tomo jeito
fui nascer com esse jeito
de gostar de tudo do meu jeito...

será que tem jeito?

Nasceu o meu siso

Nasceram, nasceram

Com força, sem pressa

Certeiro, primeiro

Nasceu o meu siso abrindo o caminho

Era eu

Era a pele

Era o novo destino

Era pele de nova eu toda certeira

Era nova eu pele abrindo a porteira

Era gente, era tempo

Era bom de nascer

Sou bem vinda, bem vida

De longe se vê

De sonho e saliva

Vermelha gengiva

De querer crescer

E crescemos nós,

No saber, no saber.