quarta-feira, 26 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Tempo relativo
Em uma coisa eu sinto pela nova geração. Vai demorar um pouco para eles entenderem o que é a Espera. Com essa agitada vida, cheias de respostas instantâneas, no msn, no facebook, no blog, no google, vira uma realidade muito distante essa coisa de aprender a escutar o tempo da vida. E a caminhar no seu ritmo. As coisas não acontecem tão rápido quanto chega um email. Os sentimentos não se transformam tão rápido quanto se atualiza uma home page. A vida tem seu ritmo e é preciso tanto saber escutá-la para viver em paz, para sobreviver. Quero que meus filhos e também meus netos descubram que a espera existe. E descubram o valor de ter paciência, serenidade, calma e confiança em todo tempo que viverem. É preciso saber se manter em pé e tranquilo, por um dia, por esse dia. Assim como é preciso entender que um tempo difícil leva o tempo que é necessário, e não é contado em horas, nem dias. Mas todos eles se concluem no momento certo, e cabe a nós estarmos prontos, internamente, para tirarmos o melhor, para vivermos com o melhor dos sentimentos. As melhores e mais duradouras coisas da vida são feitas com a paciência com que é tecida uma teia de aranha, eu penso. Quero que meus filhos , assim como eu, tenham a calma que é preciso para escutar e para receber o amor, assim como ele é. Para errar e aprender, sem se cobrar com a pressa, mas sendo amigo da observação. Quero a serenidade que é preciso para descobrir como a vida conserta as coisas, como tudo pode se transformar. Quero que tenham felicidade para levar à frente os seus sonhos e confiança silenciosa na hora da dor. Precisamos escolher os sentimentos que nos acompanham para cada situação, é como decidimos viver. Mas de tudo isso, o mais importante: entender que as emoções aflitas desse momento de nada tem a ver com a sábia e aveludada voz da vida. Muito mais o íntimo do espírito, se não tiver sendo pertubardo pelas janelas do ichat ou do msn, que vai ouvir e entender o que está sendo pedido. É preciso descobrir, nessa geração tão agitada, que tempo verdadeiro tem a vida e a voz da divindade em cada um de nós.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Um pouquinho de humanidade no dia a dia
Somos treinados para a linha de batalha. Somos. Estamos todo o tempo empenhados, dedicados, forticados para o que vier. É fato.
Mas nessa luta diária, nessa corrida pelos objetivos que atropela as horas, esquecemos das sutilezas que fazem o nosso dia um pouco mais HUMANO.
Correr para cumprir as metas é importante. Mas parar um minuto para dar um abraço, para conversar com calma, não faz tanta diferença na agenda. Mas faz para a alma.
Queremos sempre resultados, resultados, resultados. Mas de que adianta o esforço, se quando tudo dá certo não sabemos sorrir, comemorar? Não nos damos o direito de respirar em paz, de abrir as janelas do peito. Sabemos ser bons profissionais. Mas sabemos ser gente?
São essas pequenas coisas que permeiam o nosso dia, que fazem a vida deixar de ser um CRONOGRAMA para ser de verdade. Com sentimento de verdade. Com amor de verdade. Vale deixar o relógio atrasar um dia sim. Vale roubar no jogo, jogar os papéis para o alto de vez em quando.
Sem isso, a vida fica vazia. Fica tão inspiradora quanto uma pauta de escritório.
Vamos lembrar de ser mais humanos. Por trás de qualquer resultado, tem o sonho, tem o suor de alguém. Por trás da carinha cansada atravessando a porta, tem sempre alguém cheio de amor, cheio de vida para dividir. E com uma vontade de fazer um dia seguinte simplesmente mais feliz.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Oceano de mim
É, eu não sou daqui.
Eu sou do mar
Meu verbo é derramar
Até encobertar os grãos secos
de vida pouca, de pouco amor
Eu tenho o tamanho do abraço
Da linha azul no horizonte
É verdade, sou mansa
(como o sonho bom)
De envolver você em um balanço morno
Mas também sou tanta
Tenho o incalculável mistério do mar
Desenhada no brilho da beira
E com muita história além da superfície
Sou um convite, sou água
Queira beber, por favor
Se contém o sal,
não é para secar a garganta
Mas para encher de vida
Os cantos onde o azul se arrasta
Sim, seu moço, posso não ser certa
- qual é a agua que é acomodada?
E meu ruído horas incomoda.
Mas qual a onda que se traduz calada?
Até quando a brisa é mansa
Ouve-se o canto da boca encharcada
Do alto de uma sacada…
Venha quem quiser sentir
Pule quem quiser provar!
Tenho o número de encantos
Salgado, molhado, imenso, espalhado
Que alcança o mar!
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Conjugando Sol
Sol não é do verbo ter
Não tem sol lá fora da janela de pátina.
Nem do verbo abrir.
Abriu demasiado sol enquanto eu dormi.
Sol é do verbo ser
É sol.
Sou sol.
Porque sol acontece
Como acontece a mudança dentro da alma
Impregnando todos os lugares
Onde haja ou não haja teto
Invadindo peitos, pensamentos, pedidos e mãos dadas
Ninguém tem sol de meio-dia
Todo mundo é sol
Como é gente, como é graça
Como somos do tamanho exato do céu
No nosso bafo quente de alegria
Misturados ao ar
Na grandeza do que sentimos.
Sol não se acha na seca rosa dos ventos
Sol não acordou na direção leste
Ou se despediu na oeste, querendo ir pro sul
Lugar de sol nascer é na alma
E é lá que se conjuga o verbo ser
Nem transitivo, nem transitando
Simplesmente transformando
Essa nossa vontade de iluminar,
de aquecer, de abrir
Quando, coincidentemente,
nos acontece a luz.