segunda-feira, 5 de julho de 2010
Ares frescos
Azul derramado no teto da vida
Entre tantas histórias e caracóis do tempo,
Acende sol dentro de nós.
Presente da vida, amigas encontradas
Sorrindo dias comuns, irradiando gente
Há um cheiro de mar presente
- Mesmo que distante
(preso nos cabelos, bagunçando idéias)
Talvez por ser brisa fresca
Essas nossas tardes juntas
Sopro para alma, em qualquer ocasião.
Enquanto não vejo a praia
Me encho do sal da alegria
Em conversas esvoaçadas,
indo e voltando
todos os dias.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Passeado
Amor então era aquilo
Um transpassado de mãos
Uma corrente delgada e escorregadia de carinhos
Uma vizinhança de janelas abertas
O caminho de pesponto que faz um passarinho
De um em um
De tela em tela
Canto a canto
Amor então era isso
O que vai e vem entre os olhos
O que passa e se espalha ao sabor do vento
Amor é polen
É experimento
Linguagem danada de tagarela
Que fala sem ninguem ver
É coisa de dar alma cheia
Amor passeia
Passageiro no tempo
Amor é o abraço dado
De incontaveis mundos.
Dia Claro
Porque era uma segunda diferente
Branca, aberta
Feito boca de janela
Era uma segunda dizente de sim
De toda alegria infame
Que cabe entre mãos e pontas de dedos
Era o meu mundo amanhecendo numa segunda
Me convidando para um sorriso solto
Para um destino leve
Era braço aberto de mundo
Era peito aberto janela
Era ela
Era ela
Gostando mais
Da vida dela.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
A linguagem por debaixo dos lençóis
De repente, quente. Tecido macio diferente, cobrindo tudo como nunca pensou um fio de algodão. E debaixo de montanhas, de listras, pespontos, felpos, mãos. Encontro entre os dedos, saudosos, depois de tanta noite, tanta procura. Esquecidos lá embaixo, se falam: pés. Avisam consideravelmente que naquele silêncio todo estão ali, um para o outro. Caprichos de sonhos, isolados, agitados, e no entanto: encosto. Um mundo de amor se recosta suavemente sobre sua pele descoberta. Segue sono. Segue noite. Turva. Contínua. INFINITA. Corpos em tempos, espaços distintos, e o abraço dado num bafo de respiração. Mas de repente, no meio das horas, em um cisco de realidade, um estalo de suspiro, novamente eles, em pontas de dedos, em olhos fechados: mãos.