segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
FAZ NOVO
domingo, 24 de outubro de 2010
Ele, o amor.
Amor é o que existe de mais legal entre duas pessoas e que existe além até das duas pessoas, vivendo na cama, no caminho para a cozinha, na bagunça da sala, no cheiro da almofada e delicadezas do supermercado. Amor é um bocado. Se morasse na barriga, não caberia na boca de sopro do estômago, nem nos metros enrolados de intestino - o que talvez explique uma segunda locação. Amor parece mais um sorriso em forma de enzima, que espalha e adormece, que espalha e amolece, que espalha e encanta, e ri e junta pele. Amor é um cruzamento de dedos além-idade, anti-relógio, anti-espaço e anti-assento. É um olhar que está no outro, mesmo que pálpebras fechadas meia-noite. Quem tem um amor, na verdade, já é preenchido, como de algo ou outrem, como quem finalmente carrega o sol por dentro da blusa. Ufa! Amor é de fato uma demasia. Mas uma verdade tão de palma, tão de gente, que pele molhado seda ternura quente amor. Amor pousada mão sobre mim. Sorrio amor.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
eu decidi
sem muita pompa
conversa ou alarde
assim como quem abre
a janela
desperta no meio da tarde
que viveria esse dia
em soltura e em verso
concentrada em encher o peito
em manter o espírito aberto
Não queria mais das horas
nem do futuro, nem do amanhã
queria meu café de tarde
meu cheiro no pescoço
e cuidar do desgosto do dia
quando me aparecesse o endosso
por enquanto nada mais
já é muito o que a vida traz
quem pensa mais do que sente
vive para si, quase ausente
da fartura do mundo
e eu, ao contrario, distraído,
vivo a parte que me cabe
vivo gozando de estar vivo
chamando esse cansaço gostoso
e essa entrega total
de minha paz primeira
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
M
Mulher
Em pé.
Mas em seu olhar
há algo de longo
há algo de seguro
há algo de seu
muito seu
Eis o que havia conquistado
Soube formar-se no próprio ventre
agora era ela
Uma Mulher
Em sua fecundidade
de dons.
Tão plena quanto inteira
os pés nus sobre o tapete
A pele reluzindo com os olhos
Verdadeira e nua para si
Já era a guarda do universo
Cresceu com os outros grãos.
Já havia aprendido
a germinar uma relação
a se encontrar no silêncio
a transformar na calma
a abrigar os infinitos gemidos
do amor
sem nunca perguntá-lo.
Era ela
Pedaço de mundo
Mulher inteira
Agora com olhar mais certo
fincado nos sonhos
ardente buscadora de si
Andava com um passo
talvez mais leve
um pouco mais certo
mais firme
Em suas mãos tinha a certeza
de poder acalentar o mundo
de ver com os dedos
o que a alma esconde dos olhos
De poder tocar os medos
De poder acariciar os dons.
Mulher inteira
disse dela mesma
E seguiu
(ainda havia muito a fazer).
Mas com uma beleza
delicadamente farta
que só cabe
a uma vida mulher.