segunda-feira, 13 de abril de 2009

Nunca há um tanto de espaço para nós. Nossos olhares imediatamente mudam de calçada (ainda que estejam no mesmo vão). Atravessam. Começamos o texto sempre sem saber as primeiras palavras. Nossos encontros são tão desajeitados, que pairam entre a comédia e o suspense - um susto e os dois saem correndo. Eu sei, eu te desconserto – como se você já não fosse torto o bastante. Você me agonia - como se eu nunca me perdesse na rota. Tenho a sensação de que estamos fazendo cócegas numa hora tensa, num absurdo de hora. Nossos risos surgem tão de repente, que parecem ser uma chegada e ao mesmo tempo uma despedida. Há mesmo que se correr. Há que se voar. Há que ser muito breve para que não escapem, por um segundo, todas as intenções.

sábado, 11 de abril de 2009

Com licença, senhores, meu texto precisa falar. Não se sabe o que, nem o que virá, mas abram espaço para que ele possa chegar. Até agora é como uma criança, que chega no meio do palco e não sabe o que dizer. Mas deixe que ele tenha sua chance. Talvez ele não esteja aqui para ser escutado, mas para te ver. Quem sabe, sentiu falta de você. Senhores, tenham afeição por esse sujeito carinhoso. Sensível demais para sua função. Que de tanta prosa, e de tanto gosto, cansou-se de apenas comunicar. E está com os braços abertos, tentando dizer que aprendeu a amar.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Entre tantos, de repente. Pelo olhar, você já sabe que é igual. Gente como a gente, que parece ter saído da mesma fábrica, mesma série, vindo ao mundo com a mesma missão. Você reconhece pelo sorriso, pelo abraço, até pelo jeito que abre a porta. Aqui dentro, chega a dar uma alegria, íntima e discreta, de ter encontrado nesse mundo tão grande alguém que você já conhece, embora tenha visto agora. A unidade é de alma. A afinidade é de primeira. Os risos são sincrônicos. As palavras são gentis umas com as outras. As piadas são cúmplices. As confissões se compreendem. São pessoas que já têm licença para passar, no quarto, na sala, na portinha do seu coração. E só de ver vivendo, dá uma felicidade, um orgulho, como se você tivesse encontrado a si mesmo. Você torce sem razão. Você ama sem dizer. Você protege sem que ninguém perceba. Entende sem que se diga nada. E mesmo que vocês se distanciem, fica sempre uma energia boa, um eco desse encontro vibrando no tempo. E a certeza, silenciosa, de que cada um tem que seguir, continuar a ser o que é, para andar por esse mundo colorindo o caminho.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Sou grito demais para seu jeito sutil,
Sou gesto demais para seu tom calado.
É que meu amor é assim,
Desengonçado.

Mulher tem mania de amar incondicionalmente. Sim pelo sim, não pelo não. Mulher não pergunta para gostar. Não entende para querer. Não espera para ir atrás. Mulher abraça a vontade que nem é sua. Mulher apara seu choro com beijo, quando não impede você de chorar. Mulher sonha com seu sonho. Ri com sua risada, mesmo que não tenha assim tanta graça para ela. E apesar do homem ser o tal do protetor, é a mulher que cuida, que guarda, que se debruça sobre sua vida como ninguém. Mulher nasce sabendo amar. Não que isso faça ela deixar de ser quem é. Mas é que ser mulher é irremediavelmente ser amor.