Amor quando fala, arde.
Amor quando falta, cala.
Amor quando cala, arde.
Amor quando arde, fala.
Amor quando falta, arde.
Amor quando cala, fala.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Caso de Polícia
Que é isso, estranho? Alguém a avise que não pode ficar aí, que é propriedade privada, protegida por lei, com autorização para reboque e expulsão. Que tamaho de absurdo, minha gente, quem deixou essa coisa mínima entrar? Essa vontadezinha, vontade de chorar. Avisem que não há lugar, alguém a socorra, porque sou apenas o segurança, de nove às onze, já fui cabo, já fui polícia, não tenho jeito para lidar. Minhas palmas são grandes demais, veja, e essa menina é isto. Interrompa o exército, mande segurar os guardas, abafar a sineta de alarme, conter os cães. Há uma invasão de uma vontade de chorar, uma vontadezinha, em um peito particular, de impostos pagos no vencimento. Mas não há motivos para alarde. Já há gente convencendo-a a voltar, e ela prometeu não fazer destruição.
De todo modo, coletes à mão.
De todo modo, coletes à mão.
Soprados
Sim, como dóem. Como ardem. Meus ventos de dias quase domingo vêm assim. Precedidos por vulcões. Por colapsos e choros. Montes e lágrimas. Sou eu que os crio. Digo assim, com o assumido de uma criança. Porque minha habilidade de areia é pouca. Ainda não aguento ser muito tempo como água doce de rio. Eu não sei ser. Eu sempre tive mais medo da calmaria – e ainda o tenho. Das ternuras que as varandas nos provocam, o pouco ou o muito de sentir. Minha alma é tanta que em nada é mansa. Até amor sente demais, até a paz é imensa até que lhe sufoque. Explosões. São meus remédios de ser. Pequenos espalhaços de mim. Pequenos livramentos de mim. Doações gratuitas à natureza, aos tetos, de infinitos intranqüilos repletos de minha alma. Pedaços de mim flutuando, há quem os reconheça. Sufoco e suspiro. Prefiro ser assim, espalhada. A manter um olho de ventos no centro do peito.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Se
Se você não fosse assim
Se eu não soubesse
de você assim
Se tudo fosse de outro jeito
Mas a gente fosse
desse mesmo jeito
Se não houvesse
Esse mundo de se
Se nosso se virasse sim
Você ia ver se a gente
mudava alguma coisa
ou se achava algum defeito.
Ah, SE ia.
Se eu não soubesse
de você assim
Se tudo fosse de outro jeito
Mas a gente fosse
desse mesmo jeito
Se não houvesse
Esse mundo de se
Se nosso se virasse sim
Você ia ver se a gente
mudava alguma coisa
ou se achava algum defeito.
Ah, SE ia.
Folhas. Eu as amo, folhas. Eu amo vocês existindo puras, contra esse céu branco. Em uma pintura dessaturada, mesmo em cores de meio dia. Folhas, eu amo sua rendição. Amo seu desenho tão plástico, seu lindo penteado na tempestade, todas as centenas arrumadas para o lado direito, como uma carícia de cabelo. Como amo sua revolta. O balançar por mais revolto me soa como poesia. Eu também sou o branco que as cobre, folhas. Eu também sou imenso, sou o vento que as engole. Estamos tão juntas, tão emaranhadas, que tenho o seu mesmo cheiro de mata virgem molhada, tão encabrunhado na pele, tão intenso no hálito. Amamos-nos na pureza toda e na nudez da natureza. E estamos serenos, de olhos abertos, completamente entregues aos repuxos do vento, ao seu jeito indomável, seus impulsos e sabedorias. Apenas dançamos, vendo em tudo poesia.. Como as amo nesse céu de inverno. E agora sou também ela, sou a chuva que nos pinica, que nos invade calma e plena, ensopada de razão. Eu sei, eu entendo, porque agora também estou derramada, sou água que desce pro mar, rolando no chão.
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