terça-feira, 2 de junho de 2009

Românticos

Seria uma sina dos românticos?
Mais sonhar o amor do que vivê-lo?
Tão pobres, tão sortudos amantes
E quando estão por fim aprendendo,
saindo às ruas, tal cores como são
atravessando faixas e suando mãos
beijando carne e sorrindo ventos
Quase morre o mundo de susto:
Eis que assim mesmo estão sonhando,
De orelhas em pé e olhos atentos,
Feito sonâmbulos de respiração ofegante
Enquanto tu, inocentemente
Está vivendo.

Empurrando as paredes

Tá bom, eu desisto. ( E entro num impasse: é possível desistir de desistir?). Acho que na verdade estou caindo no mesmo erro, mentindo-me, arranhando os bicos. Estou cansada de pequenezas, de morar em esquinas, nos cantos da mesa. Estou cansada de tantos vidros, antes tão perfeitos, redoma de berço, proteção da vida. Cansei. Prefiro então os cacos, os estilhaços. Quero de fato sair, quero provar o mundo, nadar os dias ou engoli-los a fio. Não tenho mais medo porque meu maior medo é continuar aqui, por entre. Posso abrir um buraco simétrico para o ar entrar, mas não. Quero eu invadir o ar, me jogar por inteira para que ele sustente o peso de mim. Ou simplesmente me deixe flutuar.
Quero ser: entregue, jogada, balanço, de peito vigente, de céu estalado, cabelo bandido. Não sei nem por onde começar. Mas cansa ser, quando ser é deixar de ser, é emudecer.

Até quando se pode fingir viver?

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Espera...


Ás vezes eu me pergunto: é mesmo o mesmo ano? Estamos tão bem, eu mal pude, e de repente, assim. Veja, é o resultado dos dias que fizemos, cada dia. O minúsculo mostrando para nós que tamanho de fato ele tem, que importância. É a soma de todas as frases não ditas para mim. São os espaços em brancos todos juntos, que você insiste em achar que eu deixei, formando um só muro pálido. Veja como nossa corda balança, como tudo parece desalinhado. Entretanto é sol, e esperamos juntos que alguma coisa seque. Que um pouco de vento quem sabe varra, com mais passar de dias, com inaugurações. Me acordo, em um descobrimento repentino, para um amor que tanto existe em silenciosas intenções de melhora.


(Deixo esse texto sem desfecho, posto que ele é somente vida, vida é o que ele é, e deseja acontecer assim, em descontínuo seguimento.)

quarta-feira, 27 de maio de 2009

e em um instante, sua pele clara se inflamou, seus olhos quase saltaram, o suor frio lhe desceu pela orelha, um estrondo arrebatou-lhe o peito e em um esforço imenso, eu diria sobre-humano, a olhou.

Estranha natureza.

Um menino tão tímido de tão escandalosas saudades.

Imprevistos

Veja meu bem, às vezes o mundo está do avesso, às vezes esquecemos de pular nas costas do nosso próprio trem, deixando o vento bater forte no rosto, furando o destino com o nariz e recebendo mais vida em porções fartas de ar gelado. Eu sei que às vezes dói um doído do que a gente queria que tivesse acontecido, um desencontrado assim só nosso. Mas não se preocupe, porque afinal de contas temos tanto de nós. Temos essa coisa toda farta de um estar tão dentro do outro, de eu estar mergulhada em vãos de linhas, tão escorregando em curvas de letras, e você tão me invadindo com verdades melódicas, espaços e mãos, desejos e tempos. Há nesse branco todo do universo um ao outro para a gente rir de gargalhada nossa, pra gente falar de qualquer coisa pouca, porque nossa paixão é gratuita e tão irremediável. Veja bem como eu me derreto te olhando, como tenho vontade intrínseca de você em qualquer hora do dia, porque quando fomos feitos, nem mesmo o dia havia. Essa é só mais uma declaração de estampado alto, para você saber do meu amor por você e também por mim, que consola enfim essas coisas todas da vida, fazendo um intervalo tão só nosso em que dá prazer de existir. Te amo sem pontos em mim.