Tão gratuitamente me é dado tanto
Que só em pensar
Tudo em mim é leve, é manso
Em ler suas letras posso te ouvir
Com o mesmo tom de voz e de amor,
Como se falasse na rede, há anos atrás
Mas acontece – e encho os olhos
Que hoje ainda te amo mais
Por vezes me perco na idade
Somente olho
E me parece um menino
Mas teu amor é antigo
E guarda a sabedoria
de um ancião
Como me preencho em tuas mãos
Que saudade sinto em tanto silêncio
Sonho, como sonho
em um dia ver seus cabelos se tornarem claros
Como clareia a manhã e aura
Os campos de trigo
Confessando um perfume tão doce
Quanto a poesia de sua calma
E ver que em tão lentos passos
E em tão brancas mãos
Mora ainda o mesmíssimo sorriso
E aquele que amei,
Que sempre amei,
Teu coração.
terça-feira, 9 de junho de 2009
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Eu penso ao invés de

E sentir essa coisa tão simples e alegrina ao invés de. Tantos medos, tanto tempo engavetado. E olhar o sol ao invés de contar do escuro que tenho visto entre as pálpebras. E esquecer da dor, ao invés de tratá-la bem, com tantos cuidados, com tantos olhares. Dor é como gente: quando bem tratada não quer ir embora. E simplesmente abraçar porções de amigos, cantar qualquer beleza da vida, a mais simples, a mais fútil, ao invés de encontrar um motivo para franzir a boca. E arranjar um espaço para esperança, afastando as mobílias do coração, ao invés de viver sem a companhia dela nem de ninguém. Quem sabe com tantos invés, a gente consiga o revés: consiga virar o peito do avesso, de forma que alma fique toda pra fora, estufada e exposta, e vendo a beleza do mundo, se renda e viva com uma vontade imensa. Quem sabe assim, tão protuberados de nós, a gente chegue mais perto de conhecer a grandeza que abrigamos aqui dentro, mas que deseja ser, desde que nasceu, simplesmente livre.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Eu
Como eu queria que você percebesse a poesia toda que havia no meu vestido branco dançando sobre a minha pele, e na maneira suave que meus pés contornavam a areia e o vermelho, o vermelho forte da ponta dos meus dedos, tão ingenuamente distraídos. Eu queria que você visse como o vento atravessava a mim, atravessava as minhas palavras e preenchia meu espírito e meu vestido branco de tanto fôlego. Porque tudo era tão leve quanto as mínimas flores bordadas, como o cabelo pegando no cantinho da minha boca e a vontade da areia, de ficar agarrada em mim. Era dia claro, claro como o bem, e havia tanto poema naquelas cores todas que eu desejava ser aquelas cores, derramada no verde das gramas, no amarelo caído sobre as pedras frias, extasiado. Eu já sorria, vendo meus pés serem também grãos, vendo meus sonhos serem também fluidos, perdidos em mar. E pensando no dia, naquele exato instante, em que você será também eu, vendo tudo que existe no meu olhar.
Como eu queria que você percebesse a poesia toda que havia no meu vestido branco dançando sobre a minha pele, e na maneira suave que meus pés contornavam a areia e o vermelho, o vermelho forte da ponta dos meus dedos, tão ingenuamente distraídos. Eu queria que você visse como o vento atravessava a mim, atravessava as minhas palavras e preenchia meu espírito e meu vestido branco de tanto fôlego. Porque tudo era tão leve quanto as mínimas flores bordadas, como o cabelo pegando no cantinho da minha boca e a vontade da areia, de ficar agarrada em mim. Era dia claro, claro como o bem, e havia tanto poema naquelas cores todas que eu desejava ser aquelas cores, derramada no verde das gramas, no amarelo caído sobre as pedras frias, extasiado. Eu já sorria, vendo meus pés serem também grãos, vendo meus sonhos serem também fluidos, perdidos em mar. E pensando no dia, naquele exato instante, em que você será também eu, vendo tudo que existe no meu olhar.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Românticos
Seria uma sina dos românticos?
Mais sonhar o amor do que vivê-lo?
Tão pobres, tão sortudos amantes
E quando estão por fim aprendendo,
saindo às ruas, tal cores como são
atravessando faixas e suando mãos
beijando carne e sorrindo ventos
Quase morre o mundo de susto:
Eis que assim mesmo estão sonhando,
De orelhas em pé e olhos atentos,
Feito sonâmbulos de respiração ofegante
Enquanto tu, inocentemente
Está vivendo.
Mais sonhar o amor do que vivê-lo?
Tão pobres, tão sortudos amantes
E quando estão por fim aprendendo,
saindo às ruas, tal cores como são
atravessando faixas e suando mãos
beijando carne e sorrindo ventos
Quase morre o mundo de susto:
Eis que assim mesmo estão sonhando,
De orelhas em pé e olhos atentos,
Feito sonâmbulos de respiração ofegante
Enquanto tu, inocentemente
Está vivendo.
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