quinta-feira, 30 de julho de 2009

Felicidade Facilidade Fez-se.

Eu e minha pequena imensa felicidade
Em sua meninice tamanha
Suas pernas de quilômetros
Tão cheias de joelhos
Seu riso se derramando pelos lados
açucarado
Viva a felicidade repentina!
A alegria menina moradora de peitos
Vestindo camisa branca
Viva a felicidade que balança
O tema solto, enfim
A alma cheia
Deixe que ela dance seu braço e outro
Deixe que corra a menina
Que devaneia.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Céu-Nascimento



Às vezes quando eu olho assim a terra arredondada, e aquele céu azul imenso se curvando sobre nós, eu sinto o mundo simplesmente grávido. E a nossa alma exultando, como se quisesse, de tanta imensidão, empurrar as finas paredes do céu até se romperem. Sinto, em uma verdade, como a se a gente ainda fosse nascer.


* Pouco depois que eu escrevi esse texto, um amigo meu bateu essa foto, do mesmo céu, e me perguntou: Lu, você vê uma pessoa levantando um bebê nessa nuvem?
Apelidamos a foto, e o momento, de céu-nascimento.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

ATOS

Mas no meu não, cada dia é uma nova cena, aliás, é uma nova peça em cartaz. Nunca sei que máscara vai acordar agarrada em minha pele, se há de arder em mim o choro ou o riso. Se há ódio, como hoje, estremecido, de tanto amor. Senhores, eu me penduro nas cortinas, eu rasgo cada pedaço de seu manto aveludado para fazer de cobertor! Seja como for, estou no palco. Estou cuspindo meus medos, enfrentando meus dragões. Não posso anunciar meu espetáculo de pé, porque ele é feito na agitação dos segundos, na agudez dessa hora, nada se pode prever. Eu não posso conter a mania de letras e a transformação em atos, sou somente tomada. Sou apenas o mesmo diretor que entra em cena, o mesmo ator que chora na platéia. Há um invento um tanto imenso para tudo isso. Querer dar forma a cada palmo de ferida, a cada gota de saliva sentida. Mas isto é a minha vida, que também se arruma para ser, e se perde e ganha em cima de qualquer tabuête. Se deseja explodir, que seja. É porque nunca coube em si.
E aquela alegria me vinha soluço. Sobressalto no meio do texto, assalto de minhas funções. Pequenas convulsões de riso, até estalar na face. Simplesmente vinha, toda menina, desejosa de sair, pular pro mundo. Difícil conter, explicar que naquele momento eu era um texto importante, sério. E lá vinha ela com estabanada felicidade em momentos comuns. Parecia um escorrega da alma: eu a empurrava pra dentro, e ela voltava gritando, cheia de impulso. Aprendi a gostar do seu jeito, a rir dessas loucuras, adorável companhia. A essa cócega repentina, em horas desavisadas, apelidei gentilmente de sintoma de você.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Cumplicidade

Olhei. O cursor do teclado piscava e piscava, em um ritmo contínuo e marcado, contínuo e marcado, como um coração pulsando no meio de um peito branco e pálido do papel. Parecia a batida das palavras clamando por um pouco mais de vida para contar. O fôlego ofegante de um documento de texto. Eu o olhava. Ele a mim. Como que esperando, esperando a próxima letra. E de próximo eu nada sabia, nem dos capítulos, nem do desenrolar da história. Ambos pulsávamos. Ambos batíamos. Naquele ritmo ansioso e atento da espera. Ele fitava o meu branco. Eu olhava o vazio dele, sem medo. Nos perguntávamos a mesma coisa: se haveria palavra certa para desengasgar, se valeria querer adiantar alguma coisa. Nos aquietamos. Nos confortamos em um silêncio amparado, no aconchego que às vezes traz o recolhimento e a economia de palavras. A tela foi se escurecendo, no ritmo dela, como se quisesse também adormecer, em cumplicidade a mim e a um velho cursor. Sabíamos que por trás daquela noite digital, e debaixo dos nossos olhos, ainda havia o mesmo ritmo que persistia insistente. Mas agora eram apenas os segundos, cumprindo sua função de passar e virar a página, escrevendo a história enquanto a gente simplesmente dormia.