segunda-feira, 23 de novembro de 2009

INFINITOS

Existem dias que não acabam. Que existem e existem e existem, independentes e alegres, além das segundas-feiras. Existem dias que ecoam, em risos e chuvas, em suaves abraços, em pedidos de tanto mais. Não são dias com hora marcada para se despedir, pós o tic-tac da zero hora. Ao contrário: são dias com o dom de fabricar, de trazer para vida mais risadas, mais alegria, mais dias de mesma natureza e uma força que faz mais de nós. São dias-mães. Que parem felicidade. É só fechar os olhos, para você também lembrar de um dia que continua existindo até hoje. E que causa uma cócega de alma só de lembrar. Que sorte, que fortuna estar vivendo um dia desses. Que de tão inesgotáveis, não se deixam capturar em palavras, nem mesmo por uma justificada paixão pela poesia. Deixo então que corram, para sempre, para tanto. Para muito além das linhas.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Do dia que me amei assim.


Amanhecida de mim

Essa natureza tempestade

Esse vento incorrigível

Força de tais


Pessoa descabida

Não cabe nos limites da roupa

Da boa educação

Pessoa que gira os acordes da vida

Que joga os pratos no chão!


Ando pedindo desculpa

Por derrubar os talheres,

enfeites, com tetos, com mãos

Um sentir tão desastrado

Que vai causando confusão.

(e põe o teu amor sob a minha condição?)


Sou dessa suavidade violenta

Desse amor repuxo de turbina

Mar revolto, quanta preocupação


E eu só queria o silêncio do dia…


Mas minha alma indomada

Não aceita sugestão!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

(Para pôr um título)

Se eu soltar a língua,

Se eu soltar o verbo,

Junte a letra solta

Forme um só verso


Se eu errar no tom

Se eu quebrar a métrica

Faça um som do bom

Sopre a nota certa


Pois apesar dos erros

De cálculo e de régua

É seu amor que eu canto

É pra você minha festa


É pelo zumbido bom

Que vem do fundo do peito

E pega a gente de jeito

Até no silêncio do dia.


Nosso amor é assim. Vezes dá samba. Vezes dá poesia.


terça-feira, 13 de outubro de 2009

Confissões jardinais

Fico feliz porque agora você já me viu derramada, sem hastes nem contornos que pudessem me fazer pessoa sólida. Fico feliz porque alguém já escutou meu choro – a força que vem da minha dor, transformada em música, ensurdecendo todas as razões comuns. Fico feliz porque a flor já tirou a sua roupa: ja está desnuda, borrada, enxuta. Mas ainda com seu amarelo de flor. Fico feliz porque você sabe que não é todo dia que meu dia gira. Que o sol aparece e enlarguece meu sorriso de gente. Fico aliviada por você ter visto minhas cores e descolores, meus atravessados e recortes. Saímos da superfície e remexemos a terra, e só em terreno mexido é que temos a chance de enraizar amor. Estou escancarada, revelada, contra toda tentativa de me emborrachar em uma máscara de carnaval. Agora você conhece a dor. Agora você conhece a flor. Agora você conhece Eu. (suspiro). E por incrível que pareça, é bom me ver viver como sou.  Afinal, assim como você, eu também estou aprendendo a me amar.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

5 minutos antes de dormir

Meu amor, mulher não dorme. Mulher experimenta um amor tão suave que chega a fechar os olhos. Mulher não se cobre e espera a hora de dormir. Mulher se recolhe entre braços, para acreditar uma vez que o mundo é mais seguro. Mulher não desacorda apenas. Sonha muito antes de começar a dormir. Mulher não diz boa noite e se apressa. Olha nos olhos com calma, para ter certeza de quem escolheu, para se ver em outro. Meu bem, mulher não forra a cama e se prepara para descansar. Mulher descansa é sentindo, no calor de um abraço, que ela pode se derramar, porque tem quem a proteja.

Mulher não dorme. Mulher se sente amada enquanto finge dormir.