quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Agudos

Tem Dor que só sai num abraço

Apertado, apertado

Como se pudesse estourar a angústia

Até escorrer o fiozinho da paz.

Tem silêncio que só acaba com sim.

Tem verdade que só sai com água.

Tem criança que nunca quer ir embora,

Mesmo passado das horas no relógio de ponto.

Tem mudez que faz barulho alto no peito

E não deixa dormir de noite.

Tem saudade que só passa esfregando

Um no outro.

Tem vergonha que só passa se olhando

Tem medo que é tão forte

Que veste roupa de realidade

E a gente já não sabe quem é quem.

Tem a solidão que isola

e a que se enrosca nas pernas do outro.

O que não tem fim

é esse vazio

Que cabe tanto,

Que cabe tudo

De letrinhas calejadas de amor

A sentenças de alguma paz,

Até o assentar do dia.


*Inspirado na frase de Rodolfo Barreto " Saudade só sai esfregando um no outro"

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

GPS para assuntos do coração

Se tivesse um gps para o coração

Meu deus, pelo sim, pelo não

Ninguém se perdia mais

Quantas vezes, quantos trabucos

Quantos buracos e ruas que ninguém

sabe onde vai parar

Quantas vezes eu me pergunto

É pra seguir ou pra voltar?

Se tivesse um gps pro coração,

Quanta alegria e simplicidade

Não importava a última ligação

Nem o encontro de ontem a tarde

Valeria a voz da autoridade:

“siga reto por mais 1 metro…”

Mas em vez disso, quanta labuta…

Quanta dúvida no meio da estrada

No saculejo desengonçado da paixão

Sabemos mesmo ouvir o coração?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Verdejância

Não se sabe ao certo

Se vã ou coisa pequenina

Mania de um espreguiçar de sol

De um futucar de sorrisos

É só uma brisa mansa que passeia,

Alguém resolveu lhe explicar

Mas ela era mais que brisa

Era a sola solta do sapato

E os passos!

Muito longe das folhas quebradas

Muito depois da mancha de luz no chão

Muito mais tarde que a tarde

Era choro de sonho recém-nascido.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Balançado


Eu quero uma casa na praia. Com direito a dias de verão de muito sol e felicidade. Quero ver os risos aparecerem como o sol que entra pelas frestas do portão, contagiando todo o ambiente. Quero ver minha filha encantada com a sensação mágica e tão simples de ter seus pequenos pés sobre a areia grossa, mergulhadas na água fria do mar. Quero que a paz corra pelos cantos da minha casa, da minha vida, como passeia uma brisa fresca, levantando folhas e suspiros. E que seja tão doce e tão prazeroso ouvir as conversas e risos de minha família, que se tenha a impressão de poder escutar a felicidade, como quem ouve a um canto de passarinho, nessa suave normalidade. Quero agradecer a Deus pelo amor que encontrei e que tenho, a cada cortina que se abre apertando nossos olhos, a cada silêncio calmo da tarde, em cada calor entre as mãos dadas e cúmplices, na certeza do encontro dos olhares. Quero viver dessa verdade imensa , que alimenta a alma e o espírito, com todos os meus por um tempo farto e incalculável.


E a resposta do sr. amor :


Eu também quero uma casa na praia. Mas com a ar condicionado, futton e ofurô. Conexão banda larga, tv de plasma, Apple TV e macbook. Uma plantação de iPhone, para colher pelo menos 10 gigas de aplicativos por dia. Uma barraca de praia confortável, com ombrellone hidramático, cadeira com ajuste de coluna e um bom reader para baixar um bom livro. Uma distância segura pra vigiar minha pequena de longe, mas que me mantenha longe das urticárias causadas pelo calor. Um garçom solícito e um freezer que funcione. Se tiver conexão wifi, um Skype para me conectar à minha família. Agora se minha filha enfia a mão na areia, grito logo: não vai mais mexer no computador do papai!

te amo!




segunda-feira, 23 de novembro de 2009

INFINITOS

Existem dias que não acabam. Que existem e existem e existem, independentes e alegres, além das segundas-feiras. Existem dias que ecoam, em risos e chuvas, em suaves abraços, em pedidos de tanto mais. Não são dias com hora marcada para se despedir, pós o tic-tac da zero hora. Ao contrário: são dias com o dom de fabricar, de trazer para vida mais risadas, mais alegria, mais dias de mesma natureza e uma força que faz mais de nós. São dias-mães. Que parem felicidade. É só fechar os olhos, para você também lembrar de um dia que continua existindo até hoje. E que causa uma cócega de alma só de lembrar. Que sorte, que fortuna estar vivendo um dia desses. Que de tão inesgotáveis, não se deixam capturar em palavras, nem mesmo por uma justificada paixão pela poesia. Deixo então que corram, para sempre, para tanto. Para muito além das linhas.