segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

"abra a janela e veja eu sou o sol...
eu sou céu e mar
eu sou seu e fim
e o meu amor é imensidão..."

abraçando a palavra alheia e deixando-se dançar com ela...


31/03/11

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

FAZ NOVO

Para você que tem muito amor aí nesse coração, que andou guardando demais ou não. Para você que tem tantos sonhos para tantos anos, que nem sabe como distribuí-los. Para você que tem a alegria estampada na família ou uma família todinha de amigos. Para você que fez tanta gente feliz em 2010, gente sem laço, sem abraço, sem jeito pra pedir ajuda. Para você que precisa de um começo e pra quem só precisa de uma vírgula, porque está no meio da estrada. Para você que acredita, acontece e acredita, escurece e acredita, amanhece e acredita. Um ano novo nosso, branco e farto, e um natal SOL em nossos corações. FELIZ 2011!

domingo, 24 de outubro de 2010

Ele, o amor.



Amor é o que existe de mais legal entre duas pessoas e que existe além até das duas pessoas, vivendo na cama, no caminho para a cozinha, na bagunça da sala, no cheiro da almofada e delicadezas do supermercado. Amor é um bocado. Se morasse na barriga, não caberia na boca de sopro do estômago, nem nos metros enrolados de intestino - o que talvez explique uma segunda locação. Amor parece mais um sorriso em forma de enzima, que espalha e adormece, que espalha e amolece, que espalha e encanta, e ri e junta pele. Amor é um cruzamento de dedos além-idade, anti-relógio, anti-espaço e anti-assento. É um olhar que está no outro, mesmo que pálpebras fechadas meia-noite. Quem tem um amor, na verdade, já é preenchido, como de algo ou outrem, como quem finalmente carrega o sol por dentro da blusa. Ufa! Amor é de fato uma demasia. Mas uma verdade tão de palma, tão de gente, que pele molhado seda ternura quente amor. Amor pousada mão sobre mim. Sorrio amor.

terça-feira, 28 de setembro de 2010



eu decidi
sem muita pompa
conversa ou alarde
assim como quem abre
a janela
desperta no meio da tarde
que viveria esse dia
em soltura e em verso
concentrada em encher o peito
em manter o espírito aberto
Não queria mais das horas
nem do futuro, nem do amanhã
queria meu café de tarde
meu cheiro no pescoço
e cuidar do desgosto do dia
quando me aparecesse o endosso
por enquanto nada mais
já é muito o que a vida traz
quem pensa mais do que sente
vive para si, quase ausente
da fartura do mundo
e eu, ao contrario, distraído,
vivo a parte que me cabe
vivo gozando de estar vivo
chamando esse cansaço gostoso
e essa entrega total
de minha paz primeira
a que leve passeia.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

M


Mulher


Em pé.

Mas em seu olhar

há algo de longo

há algo de seguro

há algo de seu

muito seu

Eis o que havia conquistado

Soube formar-se no próprio ventre

agora era ela

Uma Mulher

Em sua fecundidade

de dons.

Tão plena quanto inteira

os pés nus sobre o tapete

A pele reluzindo com os olhos

Verdadeira e nua para si

Já era a guarda do universo

Cresceu com os outros grãos.

Já havia aprendido

a germinar uma relação

a se encontrar no silêncio

a transformar na calma

a abrigar os infinitos gemidos

do amor

sem nunca perguntá-lo.

Era ela

Pedaço de mundo

Mulher inteira

Agora com olhar mais certo

fincado nos sonhos

ardente buscadora de si

Andava com um passo

talvez mais leve

um pouco mais certo

mais firme

Em suas mãos tinha a certeza

de poder acalentar o mundo

de ver com os dedos

o que a alma esconde dos olhos

De poder tocar os medos

De poder acariciar os dons.

Mulher inteira

disse dela mesma

E seguiu

(ainda havia muito a fazer).

Mas com uma beleza

delicadamente farta

que só cabe

a uma vida mulher.