Nem parece verão em sampa. Acabei de chegar e o friozinho matinal já nos encontra, naqueles velhos olhos brancos da cidade. De punjante e urgente, só o verde. Há um derramado de verde por toda parte, molhado e vivo, como se fosse uma primavera para aquela cor. Caminho sob o hálito das flores, o macio tapete de grama, a permissão dos insetos e o babuciar de um passarinho, que como eu, também aprendeu a viver tranquilamente ali – apesar da estradinha de asfalto. Respiro os ares da cidade. Da minha cidade. Seu bocadinho de chão, seu silêncio cheio de liberdade para um livro, um pensamento. É tanta calma nessa cidade sempre nova, mesmo que todos saibam de suas urgências. Quase danço sob o frio e as histórias que estou ouvindo. Podia até sentir saudades do sol. Mas não, eu entendo, é quase como uma compaixão, deixá-la ser. Essa chuva..ah, essa chuva é só o jeito de amar de sampa.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
FAZ NOVO
domingo, 24 de outubro de 2010
Ele, o amor.
Amor é o que existe de mais legal entre duas pessoas e que existe além até das duas pessoas, vivendo na cama, no caminho para a cozinha, na bagunça da sala, no cheiro da almofada e delicadezas do supermercado. Amor é um bocado. Se morasse na barriga, não caberia na boca de sopro do estômago, nem nos metros enrolados de intestino - o que talvez explique uma segunda locação. Amor parece mais um sorriso em forma de enzima, que espalha e adormece, que espalha e amolece, que espalha e encanta, e ri e junta pele. Amor é um cruzamento de dedos além-idade, anti-relógio, anti-espaço e anti-assento. É um olhar que está no outro, mesmo que pálpebras fechadas meia-noite. Quem tem um amor, na verdade, já é preenchido, como de algo ou outrem, como quem finalmente carrega o sol por dentro da blusa. Ufa! Amor é de fato uma demasia. Mas uma verdade tão de palma, tão de gente, que pele molhado seda ternura quente amor. Amor pousada mão sobre mim. Sorrio amor.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
eu decidi
sem muita pompa
conversa ou alarde
assim como quem abre
a janela
desperta no meio da tarde
que viveria esse dia
em soltura e em verso
concentrada em encher o peito
em manter o espírito aberto
Não queria mais das horas
nem do futuro, nem do amanhã
queria meu café de tarde
meu cheiro no pescoço
e cuidar do desgosto do dia
quando me aparecesse o endosso
por enquanto nada mais
já é muito o que a vida traz
quem pensa mais do que sente
vive para si, quase ausente
da fartura do mundo
e eu, ao contrario, distraído,
vivo a parte que me cabe
vivo gozando de estar vivo
chamando esse cansaço gostoso
e essa entrega total
de minha paz primeira