quinta-feira, 18 de abril de 2013

Há uma anciã em mim…





Hoje encontrei
Sentada no jardim de mim
a face doce de uma anciã
Que até então eu não conhecia,
não escutava
suas palavras ou seu silêncio.

Doce surpresa
Há uma anciã em mim
Que com seu perfume do tempo
Recebe as coisas com serenidade,
Sem alvoroço, nem dor.

Que conhecendo um pouco mais a vida,
Sabe receber o que vem,
Sabe guardar sua paz,
E passar adiante quando precisa.

Uma anciã que acolhe,
que conforta com mãos quentes
Qualquer das minhas versões
Qualquer dos meus desentendimentos.

Que sabe sentir com amor
Tudo que acontece
E nesse mesmo amor se apóia
Para não balançar com o vento
Nem voar com as folhas secas.

Uma anciã que, ao mesmo tempo
que espera,
vive sua eternidade,
Sem fazer alarde das coisas pequenas,
sabendo amar as miudezas.

Meu coração de anciã
Confia, apesar dos medos.
Se alegra, sem pensar no apesar.
E caminha pelo mundo
ainda em pernas de juventude.

 
                                            A vida é um crochê de gentilezas.
                                                                       Uma mão faz pela outra.

dessaber


Nesse assunto de amor
Eu não sei dissertar,
Não sei discorrer,
Não quis arrumar
Quem dera soubesse organizar
Amor não cabe em minhas métricas
Nem tão pouco nas teorias
Não vai bem na minha régua
De tanto que mexe, que varia
Amor é um rebuliço!
Para mim tão cheia de razão
Uma ciência sem estudo
Um bacharel sem noção
Um vigário sem unção
Tudo que tá dito
Duvido
Tudo que eu juro
Não tem garantia
Tu mesmo te esticas
E te escondes
Amor, não te explico
Nem pisco!
E agora que te escrevo
(bem feito)
Tu ri da minha ousadia!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

de barros

quero fazer de tudo quanto me acende a alma
mas por enquanto
arvoreço de amar.

eu tenho urgências de amar
no passe-turno da tarde
meu coração urge e arde
por um bocadinho de conversê

me dei conta que na minha
vida, preciosa mesmo é a simplicidade
é a sensibilidade
cuidar pra tratar de não endurecer.

domingo, 21 de agosto de 2011



A doçura não sabe

encontrar paz em mim

os meus ventos

são como sopros

de lá de longe

só se ouvem ruídos

mas aqui dentro

como mora o embaraço


queria eu poder

ter outro canto

seria bom se todo dia

a gente soubesse viver

mas quando a gente é

e sobretudo

quando é do avesso

a vida é uma corrida

de uma perna só


Me pediram

pra descer do alto

pra endireitar os modos.

Desculpe. Não fiz.

Alma de poeta

se descuida

porque se alimenta

de delirios.


Dá mais trabalho nascer de si mesmo.